11º Congreso Internacional de Antropología AIBR
Descargar PDFA ascensão da extrema-direita tem apontado para a intensificação do embate entre neoconservadores e as demandas dos movimentos sociais, que ganharam espaço na turbulência política em vários países. A partir de campos disciplinares distintos, este painel, que reune pesquisadoras do Brasil, Portugal e Espanha, propõe uma reflexão sobre o desmonte das políticas sociais. No bojo dessa discussão, se intensificam os ataques à “ideologia de gênero” e aos movimentos sociais, enfatizando os vínculos familiares e, ao mesmo tempo, naturalizam as relações entre homens e mulheres. Em nome da manutenção de uma certa ordem social, essa naturalização opera a partir de conceitualizações morais que incitam o medo de mudanças nas relações de poder e propiciam o avanço das cruzadas morais. Paralelamente, esses movimentos se apropriam de termos e noções progressistas, incluindo as feministas. Entre essas apropriações chamam particularmente atenção as vinculadas ao “empoderamento feminino” e ao amor, termo frequentemente mobilizado por feministas, particularmente feministas negras, para estimular o cuidado e as alianças nos movimentos. Nos discursos de extrema direita, porém, o “amor” substitui a justiça social. As análises, em diálogo com as teorias feministas e de gênero, consideram a articulação de categorias de diferenças (gênero, raça/etnia, classe, sexualidade, localização, religião, entre outras), de modo a pensar como as diferenças operam no desmonte de políticas públicas em um momento no qual a família, necessariamente heterossexual, parece se constituir como sujeito de direitos.
O objetivo desta apresentação é o trazer análises textuais e discursivas de um conjunto de sites que se auto-categorizam como feministas de forma a elaborar uma discussão sobre como esses sites performatizam a defesa dos direitos reprodutivos e sociais de mulheres brasileiras, considerando que a categoria "mulher" é compreendida nos termos de Piscitelli (2000; 2002; 2008), no contexto de busca da “dessencialização” das práticas identitárias e de práticas políticas. Considerando a noção de “empoderamento feminino” e de "amor", expressões frequentemente mobilizadas por feministas em contextos específicos, nossas análises são desenvolvidas com o objetivo de buscar compreender como estão contextual e discursivamente ancoradas as categorizações sociais que são produzidas por organizações feministas catalogadas no acervo que estamos organizando na relação com as duas noções anteriormente citadas. Para desenvolver essas análises, também nos alinhamos à perspectiva de Woodward (2000), para quem a compreensão das textualidades depende da análise de processos de representação, identidade, produção, consumo e regulação. Os modos como se dão essas ancoragens revelam que há reiterações temáticas que se contrapõem aos/ e ressignificam os discursos anti políticas sociais: (i) violências contra a mulher e (ii) saúde das mulheres. Esses parâmetros temáticos parecem auxiliar na compreensão das disputas sobre o que se pode ou não falar, mesmo nas mídias sociais. Essas pauta dos movimentos feministas parece ter implicações importantes para a forma como os movimentos performatizados nessas plataformas das organizações feministas pressupõem que serão recepcionados por suas comunidades e pelas comunidades anti-feministas.
Nesta apresentação proponho uma reflexão sobre a proliferação dos discursos de ódio operacionalizados a partir da articulação de categorias de diferença (gênero, raça/etnia, classe, nacionalidade, entre outras). Ao acionar a ideia de cidadania participativa, a opinião pública é incitada a compartilhar nas redes sociais certa visão de mundo e a suspeitar de narrativas produzidas acerca das demandas por direitos. A isso se soma o cruzamento de cenários políticos e moralidades que estão na base da formulação dos discursos de ódio como uma resposta à crença de que alguém quer te destruir ou abalar teu modo de vida. Essa crença vai além da emoção individual e pode ser impregnada no tecido social. A partir de pesquisa realizada com imagens de migrantes brasileiras para Portugal nas redes sociais e jornais portugueses, à ideia da sexualidade/sensualidade das mulheres brasileiras, largamente reiterada em muitas pesquisas sobre o tema, nos últimos anos, se somam imagens que escancaram a xenofobia, antes apresentadas de forma mais velada. A intolerância, um primeiro passo para a perpetração das violências simbólicas, pautadas por textos/imagens “injuriosas”, desloca os potenciais argumentos contra a formulação de políticas de proteção dos direitos para a desqualificação de pessoas e/ou grupos que assumem a defesa de direitos. Os resultados da pesquisa indicam que, seja por meio de montagens fotográficas, seja por frases colocadas fora de contexto, expresssões de ódio, mais facilmente localizadas em discursos extremos, também são parte da produção de conteúdos por gente comum, não necessariamente alinhada a um determinado espectro da política.
Existen ya estúdios que muestran como la extrema derecha há capturado y accionado nociones vinculadas a los pensamentos progressistas y de izquierda. También hay trabajos que analisan el accionamiento del amor en la extrema derecha, operando como uma frontera política entre los objetos del amor (nación, homgres, equidade y família) y los objetos de ódio (feminismos, comunismo, LGBTQI e inmigración (Pichel Vazquez y Enguix Grau (2021). Considerando eses estúdios, en esta apresentación propongo avanzar en esas discusiones a partir del caso específico de Brasil. Tomo como referencia las prácticas discursivas de la ex-ministra de Derechos Humanos y actual Senadora de la Nación Damares Alves. Mi propuesta es considerar como en esas prácticas el amor es accionado tomando distancia de las propuestas feministas, particularmente de feministas negras, como las de bell hooks, formuladas com el fin de estimular el cuidado y las alianzas en los movimentos feministas. Al contrário, el “amor” substituye la justicia social por el ataque a derechos fundamentales de mujeres y niñas y de la población LGBTQI+. El material empírico a ser analisado está integrado por discursos, propuestas y entrevistas de esa persona diseminados em diversos médios, periódicos, facebook, instagram, a partir de 2018 hasta el momento actual.
En un contexto global de polarización política interpretada como des-democratización (Levitsy & Ziblatt, 2018; Bogaards, 2023; Norris & Inglehart, 2019), la erosión de los derechos de género es un indicador ineludible (Lombardo, Kantola & Rubio, 2021; Biroli, 2020; ). Los movimientos fundamentalistas, populistas de derecha radical y nuevas extremas derechas ganan espacio en las organizaciones internacionales, gobiernan países clave y a escala local y regional. Su programa es aparentemente cultural pero marcadamente antisocial: erosionan los DESC - los DSR, la lucha contra las violencias de género y los derechos de las personas migrantes. Natalismo-nativismo, agorafobia- xenofobia pueblan discursos anti-políticos en redes y medios con figuras de odio que justifican el recorte de derechos sociales a mujeres, niñas e integrantes de los colectivos LGTB. Para hacer frente al retroceso urgen nuevas alianzas interseccionales con nuevos recursos -vía crowfounding-, y recuperan formas tradicionales de lucha como los sindicatos y cooperativas, como el sindicato Jornaleras de Huelva en Lucha, la organización Las Kellys o el Sindicato de Inquilinas e Inquilinos. Engloban luchas de sujetos pauperizados entre quienes sobresalen las mujeres, las y los migrantes, las personas mayores, etc. Se revisan textos de bibliografía secundaria, académica y periodistica de alcance nacional( El País, el Diario, Público y el Mundo), y publicaciones digitales como Delas y Píkara Magazine, autoras concretas y colectivos feministas; junto a declaraciones en congresos, manifestaciones durante el periodo analizado de 2017 a 2024. Estas alianzas ayudan a entender nuevas prácticas de resistencia que re-generan el tejido sociopolítico.
Em Portugal tem sido predominado uma narrativa que apresenta um país caracterizado por brandos costumes, moderado e com poucas manifestações de radicalismos. A escalada dos discursos de ódio a nível nacional e internacional, a par da crescente presença de reivindicações de reconhecimento do machismo estrutural, privilégios raciais, religiosos e étnicos, incendiaram os meios de comunicação e redes sociais portugueses nos últimos anos. Neste trabalho, examinarei a consolidação destes processos e a sua relação com a entrada da extrema direita na cena política portuguesa. Pela primeira vez, em 2019, um partido de extrema-direita conseguiu eleger um deputado no parlamento que desde então tem ganho presença significativa na comunicação social e redes sociais. Nas eleições Legislativas de 2024 esse número subiu para 50. A par do discurso racista e xenófobo, as suas posições defendem o regresso à família tradicional, organizada com base numa estrutura patriarcal e profundamente conservadora no que diz respeito aos modelos de sexualidade e reprodução. Nesta comunicação farei uma análise das propostas de alteração legislativa sobre família, direitos reprodutivos e educação defendidas pelos partidos de direita em Portugal.